quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Quando o fracasso não tem a última palavra

Escrito por Rev. Hernandes Dias Lopes

Há pessoas que começam bem, mas terminam mal. Elas têm um brilhante começo, mas um

fim trágico. Assim foi a história de Demas. Ele é citado apenas três vezes no Novo

Testamento. A primeira vez que Demas aparece, ele é apresentado como um cooperador de

Paulo (Fm 24). Da segunda vez, nada se acrescenta a seu respeito; apenas seu nome é

mencionado (Cl 4.14). Da última vez, porém, nos é dito que ele abandonou Paulo (2Tm 4.10).

Há muitas pessoas cuja vida é uma descida ladeira a baixo. Há muitos indivíduos que em vez

de caminhar para frente, recuam; em vez de subir, descem; em vez de crescerem no

conhecimento e na graça de Deus, retrocedem na fé.

Mas, graças a Deus, muitos também fazem o caminho inverso. Esses caminham para a frente.

Esses aprendem com os fracassos e se levantam na força do onipotente para prosseguirem

firmes e resolutos nas veredas da justiça. Citamos, aqui, o exemplo do jovem João Marcos.

Quem foi esse jovem?

Em primeiro lugar, João Marcos foi um cooperador(At 13.5). João Marcos era um jovem

humilde e prestativo. Ele foi auxiliar de Barnabé e Paulo (At 13.5). Nesse tempo, João Marcos

era ainda muito jovem e inexperiente, mas sentiu o desejo de acompanhar os dois

missionários rumo à região da Galácia. Seu propósito era servir aos dois missionários

separados por Deus para tão sublime tarefa. Nesse tempo João Marcos era um jovem

idealista e corajoso. Dispôs-se a deixar o conforto da sua casa em Jerusalém (At 12.12), para

enfrentar as agruras de uma viagem missionária por regiões inóspitas e perigosas.

Em segundo lugar, João Marcos foi um desertor(At 13.13). Não sabemos os motivos, mas no

meio do caminho, João Marcos desistiu da viagem, apartou-se de Paulo e Barnabé e voltou

para sua casa em Jerusalém. Faltou-lhe coragem e maturidade para prosseguir. Faltou-lhe

perseverança para não retroceder. Faltou-lhe forças para continuar servindo aos dois

missionários da igreja. Aquele foi um capítulo sombrio na vida desse jovem. Ele foi um

desertor. Ele capitou-se diante das dificuldades. Ele não teve coragem de seguir adiante.

Em terceiro lugar, João Marcos foi um missionário (At 15.36-39). Era tempo de voltar à

segunda viagem missionária. Barnabé, porém, queria levar consigo a João Marcos (At 15.37).

Paulo, porém se recusou terminantemente dar uma segunda chance ao jovem desertor.

Barnabé contendeu com Paulo, mas não desistiu de João Marcos (At 15.38,39). Levou-o

consigo para Chipre e fez dele um missionário. João Marcos tornou-se um homem valoroso

nas mãos de Deus. Além de Barnabé, o apóstolo Pedro também investiu na vida de João

Marcos, a ponto de chamá-lo de filho (1Pe 5.13). Esse jovem mais tarde tornou-se o escritor

do primeiro evangelho a ser escrito, o evangelho segundo Marcos, destacando nessa obra

preciosa as gloriosas obras de Cristo, apresentando-o como servo perfeito.

Em quarto lugar, João Marcos foi um homem útil (2Tm 4.11). Paulo estava preso numa

masmorra romana. A hora do seu martírio havia chegado. Do interior desse cárcere insalubre

e frio Paulo escreve a seu filho Timóteo, rogando que ele fosse rápido vê-lo em Roma.

Chama-nos atenção, uma recomendação do apóstolo a Timóteo: “Toma contigo Marcos e

traze-o, pois me é útil para o ministério” (2Tm 4.11). O jovem rejeitado por Paulo, é agora

prezado por ele. Aquele que um dia desertou e foi rejeitado, é agora desejado. Paulo muda de

opinião acerca de João Marcos e deseja tê-lo ao seu lado antes de morrer. João Marcos

fraquejou um dia na vida, mas se levantou. Ele nos prova que é possível recomeçar, quando

colocamos nossa vida nas mãos de Deus.

2 comentários:

  1. Ana IPB Jucurutu/RN26 de setembro de 2011 20:08

    Que bom saber que mesmo quando fraquejamos na fé Deus nos dar outra chance. Espero em Deus nunca fraquejar, mas fico feliz de saber que posso contar com ele.

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  2. Concordo com você,irmã Ana,jamais gostaríamos de ter que provar o fracasso pra depois alegrar com as vitórias,mais essa reflexão serve de conforto,pois muitos dos nossos provam desse alimento amargo,para depois degustar dos manjares que só o Senhor tem em abundância pra nos dar.

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